HMS Victory
Portsmouth Historic Dockyard - Portsmouth, Inglaterra
 
     

     

Portsmouth Historic Dockyard

Saindo de Londres de trem, a partir da estação Waterloo, chega-se confortavelmente
em uma hora e meia a cidade de Portsmouth no sul da Inglaterra. Da saída da pequena estação já pode ser visto ancorado no porto o belíssimo veleiro HMS Warrior.
Siga tranquilamente a pé em sua direção e você encontrara em menos de 10 minutos a entrada do histórico estaleiro
da cidade, onde hoje funciona o Portsmouth Historic Dockyard, completo e incrível centro de turismo.
Além do HMS Victoy ainda existem muitas outras atrações para os amantes da história náutica, entre elas o HMS Warrior um navio a vela e vapor de combate, que em seu lançamento era um dos mais bem armados do planeta, o Museu do Mary Rose, captânia do rei Henry VIII que teve seus restos retirados do fundo do mar. A canhoneira HMS M.33, último remanescente da batalha de Gallipoli na Turquia (1915 ), o Submarino HMS Alliance, além de dois museus com temas náuticos, lojinhas e outras facilidades.
Um dia inteiro em Portsmouth é pouco para olhar com calma todos os detalhes dessas atrações, por isso, se não estiver planejando dormir na cidade, se programe para chegar cedo e marque a volta para depois das 18:00 horas.
Ao lado do porto existe um muito bem montado shopping estilo outlet, com algumas da mais conhecidas marcas além de restaurante e um prédio com vista panorâmica ao estilo Dubai.

 

 

O Navio

O HMS Victory (HMS - Her/His Majesty's Ship - Navio de Sua Majestade) foi construído entre 1759 e 1765 nos estaleiros de Chatham, próximo a Londres e lançado ao mar em 7 de maio de 1765. Entrou em serviço na Royal Navy (Real Marinha Inglesa) em 14 de julho de 1778, onde permaneceu em serviço por 34 anos (1812).
Com o desenho do casco inspirado no navio HMS King George esse gigante para a época possuía 72,50 metros de comprimento 17,10 metros de boca e 3.500 toneladas, acomodando 104 canhões de diversos calibres montados em três grandes conveses, além do castelo de proa e popa.
Na sua construção foram utilizadas aproximadamente 6.000 árvores, 90% das quais o nobre carvalho. Seu custo estimado em 1765 foi de £63.176, o que seria hoje comparado ao custo da construção de um porta aviões.
Ele era uma poderosa ferramenta nos objetivos da Grã-Bretanha de dominar os mares, proteger seu território, rotas comerciais e bloquear os avanços de outras nações como a Espanha e a França de Napoleão Bonaparte (Guerra dos 7 anos).

 
 
DADOS TÉCNICOS
Tipo de embarcação: Veleiro Nacionalidade: inglesa
Lançamento: 07.05.1765 Estaleiro: Chatham, Londres
Comprimento: 72,50 metros Boca: 17,10 metros Calado: 8,8 metros
Deslocamento: 3.500 toneladas Material do casco: madeira
Propulsão: três mastros, o principal com 66,00 metros, mas o gurupés.
Velame: Podia utilizar simultaneamente 37 velas, com uma área vélica total era de 5.468m²
Velocidade: 9 nós

Armamento: distribuição dos 104 canhões
* terceira coberta - 30 canhões de 32 libras e 2 canhões de 12 libras;
* segunda coberta - 28 canhões de 24 libras;
* coberta superior - 30 canhões de 12 libras;
* tombadilho da popa - 12 canhões de 6 libras;
* convés do castelo de proa - 2 canhões de 68 libras.

Tripulação: mais de 800 homens entre marinheiros e um grupamento de soldados
Casco com 72,5 metros - 3500 toneladas e 140 canhões em três decks, o imponente HMS Victory
 
 
Logo após seu lançamento ao mar em 1778 com o domínio do mar sendo disputado e o risco de uma invasão, o Victory já participou de sua primeira batalha contra os franceses em Ushant, ao largo da costa noroeste da França. Batalha vencida pelos ingleses.
Em 1797, sob o comando do capitão Robert Calder, participou de outro embate, desta vez no Cabo de São Vicente na costa portuguesa. Durante a batalha a frota britânica praticamente esmagou a frota espanhola mesmo com um maior número de navios, o resultado e que a marinha espanhola não mais participou da Guerra Revolucionária Francesa.
Desta batalha, já participou o comandante Nelson, que viria a tornar-se o capitão do Victory em uma das batalhas mais importantes da história da Inglaterra e que se tornaria um herói nacional.
Em 1805 era o navio comandado pelo Almirante Nelson durante a Batalha de Trafalgar na costa espanhola, que colocaria fim nas pretensões de Napoleão de invadir a Inglaterra. O navio liderou a coluna inglesa que rompeu as linhas da frota franco-espanhola e foi nele que durante a batalha, o comandante Nelson acabou ferido por um tiro de mosquete e morreu.
Após a batalha, devido aos danos sofridos voltou a Inglaterra e não mais combateu, sendo retirado de serviço em 1812.
Em 1922 o navio em estado ruim foi levado para o Portsmouth's Royal Naval Dockyard, para trabalhos de manutenção e restauro, de modo a recriar o estado do navio em 1805. Atualmente pode ser visitado no Portsmouth Historic Dockyard.
 

A imponente proa com o mastro gurupés e suas âncoras almirantado
 
Castelo de popa onde ficavam as acomodações espartanas dos oficiais, nas quais existiam inclusive canhões. Foco no combate
Sistema de escoramento do casco
Porta do paraíso
Terceira coberta de combate - canhões de 32 libras
 
Sistema anti incêndio.
Baldes de água por todo o navio
Muitas balas e armas de infantaria acondicionadas por todo o navio
garantindo a eficiência no momento das abordagens
Equipamento de limpeza, manutenção
e carregamento dos canhões
Simbolo do Rei George
 
O castelo de popa tem salões amplos e salas de refeição
que também serviam para alojar os oficiais

Várias camas estão penduradas para diminuir o balanço,
em todos os cômodos existem posições para canhão

Até no alojamento do almirante Nelson existem canhões.
"Sujeito as condições do trabalho"
 
O Victory representa uma parte importante de um período da história da navegação, os navios captânias das principais esquadras do mundo foram aumentando sua tonelagem e número de cobertas que pudessem acomodar baterias de canhões, já que o combate era praticado geralmente com os navios passando paralelamente um ao outro e descarregando suas bocas de fogo. Em poucos anos os canhões giratórios, iriam ser instalados nas embarcações e mudar para sempre a dinâmica das batalhas navais.
 
Na cozinha um grande forno, deveria trabalhar durante
todo o dia para alimentar tanta gente
As reproduções dão uma ideia da vida dura abordo
A papa feita com os biscoitos da ração diária são
tão feias quanto imaginamos, já o gosto...
Tripulação se alojava entre os canhões
Segunda coberta, com escada ao convés
Muitas armas de fogo e espadas estocadas a bordo
 


Almirante Nelson


Horatio Nelson nasceu em 29 de setembro de 1758 em Burnham Thorpe, Norfolk ingressando na marinha inglesa em 1771 como timoneiro do navio HMS Raisonnable. Serviu com os principais comandantes militares até obter seu primeiro comando em 1778 caracterizando-se pela bravura em combate e desenvolvimento de táticas de combate não convencionais e inovadoras.
Participou da guerra de independência americana e dos conflitos causados pela revolução francesa no Mediterrâneo no comando do Agamemnon, de 64 canhões.
Em 1793 e 1794 sob o comando do almirante Hood, prestava serviço no Mediterrâneo, durante um combate ao largo da Córsega, foi atingido por estilhaços perdendo o olho direito.
Em 1797, no comando do HMS Captain participou da batalha do cabo de São Vicente e na batalha de Santa Cruz de Tenerife, onde perdeu o braço. O galão virado na manga (óculo), improvisado pelo alfaiate, para fixar a manga vazia ao botão frontal da casaco, segundo alguns autores foi incorporado ao uniforme da Royal Navy e depois a muitas marinhas pelo mundo em homenagem a ele.






O galão com volta (óculo) presente
nos uniformes de oficiais de
muitas marinhas pelo mundo,
segundo alguns autores, é uma
homenagem ao comandante Nelson.

Em 1798 participa obtém sua primeira grande vitória, derrotando a frota francesa na batalha no delta do Nilo, o que provocou a retirada das tropas de Napoleão do Egito.
Teve decisiva participação no Mediterrâneo no combate aos planos de expansão e invasão da Inglaterra de Napoleão Bonaparte. Apoiou o Reino de Nápoles contra os franceses e em 1801 no Mar Báltico na batalha de Copenhaga contra os dinamarqueses.
Suas sucessivas vitórias foram sendo premiadas por títulos de nobreza atingindo a condição de Visconde e ascensão na carreira militar. Seria ferido em combate por diversas vezes, perdendo um braço e um olho.
Em outubro de 1805 participava do bloqueio ao porto de Toulon já no comando o HMS Victory. No dia 21 as frotas espanholas e francesas com 33 navios deixou o porto para enfrentar 27 navios britânicos da frota de Nelson. O combate ocorreu na costa da Espanha a cerca de 30 km do Estreito de Gibraltar na região do Cabo Trafalgar.
Com uma estratégia agressiva a coluna dos navios de Nelson destruiu a frota de Napoleão em cerca de 3 horas.





A tremenda vitória em Trafalgar é considerada uma das mais importantes da Grã-Bretanha e pós fim aos planos de Napoleão.
Durante o combate Lord Nelson foi atingido por um mosqueteiro francês e não resistiu. Seu corpo foi levado a Inglaterra sendo sepultado com honras de estado na catedral de Saint Paul.
No centro de Londres hoje se eleva a coluna de Nelson elevando sua estátua no centro da praça de Trafalgar.
 

 
Vista do convés com seus canhões á frente do castelo de popa
Munição estocada em todos os pontos do navio
Timão e caixa de bússola, sob o castelo de popa
O sino do Victory
 
Na proa o paiol de cabos da âncora
Porão com o lastro e muitas barricas de água
O mastro de proa
Lanterna de popa
 

No Brasil

Embora nas águas do Brasil tenham ocorrido combates navais, principalmente entre portugueses e holandeses durante o período de colonização, não temos naufrágios do porte do HMS Victory, mas algumas naus como o São Paulo e o Sacramento se assemelham a estrutura de construção desses navios.

 


VISITAÇÃO
Portsmouth Historic Dockyard, cidade de Portsmouth ao sul da Inglaterra.


 


 
Consulte nosso guia de estruturas de vapores e conheça mais sobre sua construção e características, caso deseje identificar as peças pelo visual utilize o esquema na página de Navios à vapor.
 


Navios a Vapor