NAUFRÁGIO CORVETA IPIRANGA
V 17
  
   

Um dos naufrágios mais famosos do Brasil a Corveta V 17 - Ipiranga, da Marinha do Brasil, descansa a cerca de sessenta metros nas águas da Ponta da Sapata em Fernando de Noronha.
Muito bem protegida pelas operadoras de mergulho da ilha, ela têm praticamente todas as suas estruturas preservadas e em seu interior estão quase todos os objetos e pertences que foram abandonados pelos tripulantes durante o naufrágio.
 

Vista lateral da Corveta Ipiranga
Histórico:
A corveta Ipiranga realizava viagem de patrulhamento pela costa nordeste do país. Numa manhã de mar calmo, o navio aproximava-se de Fernando de Noronha, onde realizaria tarefas de apoio a guarnição da ilha, quando subtamente chocou-se com a Cabeça da Sapata.
Esta rocha, localizada ao largo da Ponta da Sapata, se projeta de mais de 70 metros de profundidade até pouco menos de 2 metros durante a maré baixa. Embora seja um conhecido perigo a navegação, que suspeita-se inclusive ter provocado o naufrágio da Nau de Américo Vespúcio, não há sinalização náutica no local.

  
  
Após o choque com a cabeça da Zapata, a Corveta afunda lentamente. Ao fundo o Morro do Pico da posição
em que a corveta acabou por naufragar. A tripulação foi socorrida pelos pescadores da ilha.
 
Após o choque, a Corveta V-17 demorou cerca de 8 horas para afundar. Durante esse período, várias embarcações da ilha aproximaram-se da corveta auxiliando nos trabalhos de descarregamento e retirada de diversas peças importantes e dos tripulantes. O inquérito da marinha concluiu que não haviam culpados pelo acidente.
 
DADOS BÁSICOS
Nome do navio: Ipiranga - V 17
Data do afundamento: outubro de 1983
LOCALIZAÇÃO
Local: Fernando de NoronhaUF: PE.País: Brasil
Posição: Ponta da Sapata a 20 minutos de navegação do porto.
Latitude: 03░ 51' 07" SulLongitude: 032░ 28' 41" West
Profundidade mín.: 55 metrosProfundidade máx.: 60 metros
Motivo do afundamento: choque
DADOS TÉCNICOS
Nacionalidade: Brasileira
Ano de Fabricação: 1953
Armador: Marinha do Brasil
Estaleiro: L. Smit & Zoon, Kinderdizing (Roterdam - Holanda).
Comp.: 56,15 metrosBoca: 9,9 metros
Calado: 3,54 metrosDeslocamento: 950 Tonelads
Tipo de embarcação: corveta
Material do casco: açoPropulsão: hélice
Carga: material bélico
Condições atuais: inteiro
 
Desenho realizado a partir das plantas originais cedidas por Ramon Gomez
 

 
Descrição

Pousada corretamente no fundo, o navio mantém toda a estrutura original. Na proa, onde normalmente está fixado o cabo de descida, existe uma pequena escotilha aberta. Atrás do guincho da âncora encontra-se o canhão de proa; seguindo-se na direção da popa chega-se ao casario com dois pavimentos.
No primeiro pavimento existem duas torres laterais de metralhadoras, mas estas foram retiradas antes do afundamento da corveta.
Na parte mais alta do casario de proa encontra-se a cabine de comando, com abertura pelas portas laterais a bombordo e a boreste. Dentro dela, encontramos todos os instrumentos de navegação como telégrafo de máquina, timão, cúpula de radar e rádios. Uma das vigias está aberta e tem vista para a proa da corveta.

Convés com guincho e canhão
 
 
 
Em Breve
Plantas da Corveta Ipiranga
e dicas de penetração.
 
A partir da cabine pode-se penetrar na superestrutura do navio, diversas portas do casario também estão abertas permitindo diversas penetrações. Virada para a popa está um mastro em V, parcialmente caído. A bombordo existem suportes vazios de salvavidas vazios e pendem diversos cabos até o fundo.
A popa é aberta com estruturas de amarração e cabos de aço, as duas grandes estivas de porão estão fechadas porém com as tampas deformadas para dentro. Os hélices e leme estão livres do fundo, porém o hélice de bombordo perdeu uma de suas três pás.
Na parte superior do casario estão a chaminé o mastro duplo e parte das antenas de comunicação.
 

O telégrafo de máquinas
da sala de comando
 

O hélice de boreste intácto e o de
bombordo com uma das pás quebrada

Mastro de comunicação projeta-se
para a popa no alto do casario

A des
compressão é obrigatória
nos mergulhos da corveta
 

 
Penetração

A condição de profundidade do naufrágio manteve a estrutura da corveta integra e muito bem conservada, por isso, as condições para penetração são muito boas.
No interior do casario diversos corredores e escadas dão acesso a sala de rádio, cabine de oficiais, enfermaria e banheiros.

Outras portas nos bordos do casario apresentam entradas para cozinha, alojamento e sala de máquinas, onde podem ser vistos os motores, geradores e também o telégrafo de máquinas.
As penetrações só devem ser tentadas depois de um rigoros conhecimento da estrutura externa do navio e sob um cuidadoso planejamento.


Banheiro
 
Mergulhadores sem treinamento específico em naufrágios não deveriam tentar a penetração, já que ela obriga o domínio de conhecimentos como: estrutura e estabilidade de naufrágios, técnicas de penetração, orientação e natação, além de uma cuidadosa configuração de equipamento.
Antes de planejar uma penetração, consulte a operadora de mergulho responsável pela atividade. Informe-se, se o procedimento é autorizado e se é compatível com o planejamento do mergulho.
 

Motor e gerador

Telégrafo da sala de máquinas

Cozinha
 

 

Maurício e Niko da Atlantis, que deu apoio para realização
do mergulho na Corveta Ipiranga - Competência e Simpatia
Apoio & Agradecimentos:

 

 
Retirada da placa símbolo da corveta Ipiranga
 
A origem do mergulho em naufrágio está intimamente associada com a remoção dos destroços que tanto prejudicavam a navegação nos portos depois da primeira e segunda guerras mundiais. Os governos estimulavam fortemente a remoção desses despojos para acelerar a desobstrução das rotas marítimas. Assim, é razoável entender a orientação das primeiras gerações de mergulhadores, "arrancar o que se podia".
Ao longo dos anos muitas peças de naufrágios se perderam, os mergulhadores retiravam quaisquer partes dos navios como lembranças, normalmente por valorizarem as peças associadas a atividade que tanto amam. Alguns mergulhadores das décadas passadas não percebiam que essas peças não apresentam valor longe do seu contexto, o naufrágio, as quais pertencem. Mas isso não significa que sejam pessoas do mal.
 
  O tempo passou a consciência do valor cultural dos bens subaquáticos amadureceu, mas a cultura não muda rápido. Apontar o dedo e criticar os outros tem sido cada vez mais a característica de nosso tempo. É mais trabalhoso tentar entender o contexto histórico e a educação das pessoas. É necessário mostrar a elas um novo momento na cultura subaquática. Minha experiência me aponta que isso nem é tão difícil, educação é a chave de tudo.
Pela educação do público, tenho voltado meu trabalho para tentar resgatar alguma dessas peças e permitir que a história trágico marítima brasileira possa ser melhor contada.
A placa da Ipiranga
Em meados de 2017 uma pessoa que não conhecia entrou em contato comigo através do site, querendo se informar sobre a possibilidade da venda de uma peça retirada do naufrágio da Corveta Ipiranga. Eu solicitei que ela me enviasse uma foto para tentar identificar de que peça se tratava. A foto indicava o ótimo estado de uma das placas com o emblema e nome do navio da lateral da chaminé.
Questionei a origem da peça e ela me informou que a placa havia sido retirada por uma pessoa já falecida. Imaginei logo que devia ter sido retirada na mesma operação que, entre 1985 e 1986, retirou o sino do navio (matéria indicada abaixo). Essa operação foi registrada no documentário do Discovery Channel que foi exibido na TV brasileira.
A pessoa me questionou se a peça apresentava valor comercial e eu expliquei que a venda de objetos retirados de naufrágio é proibido por lei (lei 7542). Ela não fez mais contato durante algum tempo.
 
 
 
No segundo contato, meses depois, ela novamente perguntou se havia interesse em adquirir a peça e mais uma vez eu expliquei que não haveria possibilidade de compra de uma peça dessa natureza, principalmente por tratar-se do naufrágio de um navio da Marinha Brasileira e o risco legal. Diante dessa situação ela expressou a intenção de livrar-se da peça, para não ter problemas. Argumentei que, se o objetivo era não possuir mais a peça, a placa poderia ser doada Marinha do Brasil pois a peça era de relevância histórica, então fui questionado se não haveria o risco.
Procurei ao longo de vários e-mails convencê-la que eu poderia recolher a peça e devolver diretamente a Marinha, sem sua participação, enviando depois uma foto para comprovar o que havia combinado. Ela pediu um tempo para pensar e consultar outros familiares, mais alguns meses de agonia, mas só podia esperar.
Alguns meses depois, novo contato para propor que eu pegasse a peça. Rapidamente entrei em contato como Museu Naval da Marinha na figura das Comandantes Miquilini e Miriam da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha. Expliquei a urgência da situação, já que temia que a placa desaparecesse. As oficiais me posicionaram que eu poderia recuperar a peça para que retornasse a Marinha do Brasil.
No início de julho de 2018 recebi a peça de um portador e já na segunda-feira seginte entrei em contato com a Comandante Miriam e combinamos que levaria a peça até o Museu Naval, dessa forma a placa com a insígnia do navio pode retornar a Marinha do Brasil seu original proprietário.
 

 
Retirada do sino da corveta Ipiranga
 
O sino foi retirado por um grupo de mergulhadores brasileiros. As filmagens fazem parte de um programa do Discovery Channel, porém não sabemos o destino do sino, que pode ter sido entregue a Marinha do Brasil. Sabemos também que o Brasão da República que ficava na proa e os emblemas da embarcação, que guarneciam cada um dos lados da chaminé, também foram retirados na mesma época.
 
 
 
 

 
 
Cabeço-de-amarração Cabeço-de-amarração Cabeço-de-amarração Cabeço-de-amarração Cabeço-de-amarração Hélice com uma das pás quebradas Guincho de proa Canhão de Proa Base das metralhadoras Base das metralhadoras Sala de comando com abertura pelos dois bordos Acesso a sala de máquinas fechado mastro de carga Antena de rádio gaiuta para paiol de amarras