"Hontem,
pelas 8 da manhã, soube-se no Arsenal de Marinha por um telegrama remetido de
Sapopemba, que a corveta Imperial Marinheiro tinha naufragado na Marambaia. Esta
triste notícia foi poucas horas depois confirmada pelo immediato, que por ordem
do commandante veio por terra participar esta deplorável occorrencia ao Senhor
Inspector Geral do Arsenal, e pedir providencias afim de salvar-se o que se pudesse
e conduzir a guarnição do navio, que felizmente salvou-se toda. A Imperial
Marinheiro saiu de Santa Catarina com destino a este porto a 1 hora da tarde do
dia 21 do corrente. Depois da sua sahida, nunca mais vio o sol nem estrellas,
sobrevindo-lhe um grande temporal, que a corveta aguentou com galhardia, perdendo-se
somente alguns escaleres. Na noite de 23 afroxou o vento, ficando quasi em calmaria.
Assim permaneceu naquella noite, havendo grandes correntezas d'água em muita cerração.
Pela volta das 6 para as 7 horas da manhã a corveta encalhou na Restinga da Marambaia.
A arrebentação do mar naquella praia era muito forte e a bordo da Imperial Marinheiro,
só havia um escaler. Foi preciso, pois, que alguns corajosos marinheiros fossem
a praia com cabos para formar vai-vens, o que effectuarão felizmente, salvando-se
desta forma todas as praças do navio, inclusive uns tres ou quatro doentes, no
escaler, em diversas viagens, puderão tambem salvar algumas bolachas e outros
objectos de primeira necessidade. A guarnição, achava-se acampada na praia
debaixo de barracas, e já |