NAUFRÁGIO NEBULA
 
 
Em 2003 um novo naufrágio foi descoberto em Abrolhos. As primeiras informações seguras foram passadas por Marcelo Polato, que realizou uma expedição ao recm descoberto naufrágio. Durante os mergulhos foram encontradas peças gravadas com o nome NEBULA e o símbolo de uma estrela. O mesmo símbolo, foi identificado por Marcelo, na lateral da chaminé caída ao lado do vapor.
As pesquisas nos jornais antigos indicaram que existia na Companhia de Navegação Carioca, cujo o símbolo era uma estrela, dois navios: o Cometa e o Nebula. A partir de fevereiro de 1892 o Nebula desaparece dos anúncios navais. Porém, não existia notícias sobre o naufrágio e além disso, neste mesmo período, a companhia sofreu uma mudança acionária. Logo depois, começou a aparecer um novo vapor de nome Santelmo. Como não havia nenhuma notícia do afundamento do Nebula ou outro anúncio de viagem, até 3 anos após o último anúncio identificado, ficamos sem saber se ele realmente afundou ou foi vendido após a incorporação do Santelmo, por motivos de distribuição financeira entre os novos acionistas.
A louça e utensílios de bordo, por se tratar de uma pequena companhia, pode ter sido aproveitada e por isso mantido com o nome antigo.
O que poderia significar apenas uma mudança do nome da embarcação. Neste caso o naufrágio poderia ser de outro navio.
 

Corais típicos da superfície
do Parcel das Paredes


Fotos cedidas pelo mergulhador e pesquisador de naufrágios Marcelo Polato, um dos primeiros a mergulhar no navio.
Elas mostram nas porcelanas o símbolo com a estrela da Companhia de Navegação Carioca e em um bule de prata a marcação do nome NEBULA.
 

Histórico
Finalmente agora, em fevereiro de 2014, em mais uma longa rodada de consultas a jornais de época, consegui localizar a notícia com a história deste pequeno vapor.
Em fevereiro de 1892 o vapor Nebula da Companhia Carioca de Navegação, navegava de Pernambuco para o Rio de Janeiro com um carregamento de açúcar, aguardente, milho e outros gêneros. Quando passava ao largo dos Abrolhos manifestando-se fogo a bordo, forçando o capitão a tentar arribar em Caravelas, BA. Porém, ao travessar o canal dos Abrolhos, acabou por se chocar e encalhar nas bordas do Parcel das Paredes, onde perdeu-se totalmente, salvando-se apenas a tripulação e os passageiros.

Sabe-se, que este era um vapor misto (vapor e velas), já que foram encontrados, além das máquinas, os reforços de mastro com sistema de malaguetas que serviam para a fixação dos cabos das velas.
O choque com o Parcel das Paredes ocorreu em numa rota de sul para o norte.
O impacto foi tão violento, que partiu a proa.
Abandonado na região durante muitos anos, este navio foi recoberto de meia-nau até o que restou da proa pelos corais do Parcel das Paredes.

 

Sistema de malaguetas do mastros
 
     
 

DADOS BÁSICOS

Nome do navio: Nebula

Data do afundamento: 17.02.1892

LOCALIZAÇÃO

Local: Parcel das Paredes

UF: BA.

País: Brasil

Posição: Recifes das Paredes.

Latitude: 17 53. 748' sul

Longitude: 038 58.395' west

Profundidade mínima: 4 metros

Profundidade máxima: 12 metros
CONDIÇÕES ATUAIS: semi-inteiro
DADOS TÉCNICOS
Nacionalidade: Brasileira
Armador: Companhia Carioca de Navegação
Comprimento: 73 metros
Deslocamento: 718 Toneladas
Tipo de embarcação: Cargueiro
Material do casco: Aço Propulsão: mista (vela / vapor)

Carga: Açúcar, milho, aguardente e carga geral.

MOTIVO DO AFUNDAMENTO: Choque
 

 
Descrição
O navio está apoiado corretamente no fundo. A popa está a cerca de 13 metros e a estrutura do casco está integra até a frente do casario de meia-nau, a partir daí, o casco está totalmente rompido e misturado ao chapeirão. A proa está separada do resto do navio, por cerca de 10 metros e caída para bombordo, atingindo cerca de 5 metros de profundidade.
 

 


A maior parte do casario foi removido (em vermelho) para que fosse possível visualizar a casa de máquinas.
A penetração e orientação pelo croqui devem ser feitas com muito cuidado, já que este é fruto de um único mergulho.




 

Na popa, está o leme, mas não existem hélices e eixos, que parecem ter sido retirados. No espelho de popa está parte do volante do leme, dois cabeços de amarração e boa parte da murada.
O convés inexistente, que parece ter sido de madeira, não mais existe, sua estrutura está colapsada. Alguns turcos guarnecem as bordas.
O navio tem uma das salas de máquinas mais completas dos naufrágios do Brasil. Podem ser vistos dois hélices reservas, duas máquinas a vapor de quatro cilindros e seus eixos. Num nível mais elevado está a caldeira, com seus coletores de fumaça e ventiladores. Pelas laterais da caldeira pode ser atingida a proa.
Ao lado do casco no fundo a meia-nau está a chaminé, onde está o símbolo de uma estrela.
 


A proa tombada para boreste


Escada na sala de máquinas

O naufrágio está recoberto de corais

 

No casario (retirado do croqui) existem dois pequenos compartimentos, sendo um deles a cozinha. A partir da frente do casario, o convés está todo destruído, coberto pelos corais e a bombordo fundido ao chapeirão, não sendo possível identificar com facilidade nenhuma peça do navio. Na lateral de boreste, forma-se um corredor entre os destroços e o casco que segue até o início do castelo de proa; onde o navio está completamente rompido.
A proa está a cerca de 10 metros a frente e caída para bombordo. Uma corrente sai da ponta da proa e contorna o chaperão frontal.
 

 

Agradecimentos
Ao Chefe da Unidade, Henrique Ilha; aos biólogos, Adriana Gomes e Daniel Silveira; a tripulação do Benedito:
Geraldo Leandro, João dos Santos e Wadson Azevedo e aos amigos Isabela Curado e Marcelo Skaf que tornaram possível o mergulho no Nebula.