NAUFRÁGIO PINGUINO
 
O navio Pinguino é sem dúvida um dos pontos de mergulho mais visitado do litoral brasileiro; não só pela facilidade
de acesso e tranquilidade das águas da baía da Ilha Grande, mas também, pelo belo conjunto de seus destroços,
que agradam tanto ao mergulhador iniciante, que deve permanecer por fora; como aos mergulhadores de naufrágio
que gostam de esmiuçar suas entranhas, conhecendo porões casario, motor e corredores.
 

 
Histórico
Segundo o próprio capitão, o Pinguino navegava a 80 milhas da costa, com destino a Buenos Aires depois de tocar em Angra dos Reis, RJ.
Na noite de sexta-feira - 23.06.1967 -, irrompeu um incêndio devido a um curto circuito na casa de máquinas, motivando defeitos na bússola e outra avarias, o que fez o navio retornar a Angra dos Reis.
Na manhã de sábado, o fogo alastrou-se devido a carga de cera de carnaúba e tomou proporções alarmantes. O navio encontrava-se a 800 metros do cais, por trás da Ilha do Colombo.
 
 
Vista lateral da cabine de comando e a visão da popa, mostrando no centro, a quilha do navio, os dois lemes e os dois eixos (tipo pé-de-galinha).
Um dos eixos está caído sobre a quilha. Os hélices foram retirados durante trabalhos de resgate.
 
 

Sendo infrutíferas as tentativas de combater as chamas, o navio foi rebocado para o abrigo da enseada do Sítio Forte, na Ilha Grande.
O incêndio durou 32 horas e causou pânico na tripulação, fazendo com que alguns tripulantes pulassem ao mar antes das baleeiras serem lançadas.
Todos os tripulantes foram resgatados pelo navio Monte Castelo, enquanto o rebocador Tritão e algumas lanchas da Escola Naval também davam apoio aos trabalhos de resgate.
O afundamento ocorreu após as 21:25 horas do dia 26, após flutuar dois dias com inclinação de cerca de 40º.
Segundo o Jornal O Fluminense foi aberto um inquérito policial pois suspeitava-se que o incêndio tenha sido provocado para encobrir contrabando, já que o navio estava fora da rota que seus documentos indicavam.
Na Ilha Grande é muito conhecida a história de que havia uma carga de sandálias de borracha americanas, que pilhadas do navio, foram utilizadas pelos ilhéus durante muitos anos.

 

Side Scan Sonar do navio Pinguino realizado pelo Navio Taurus
do Serviço de Hidrografia e Navegação da Marinha

Como não há fotos do Pinguino, a ilustração foi confeccionada
a partir do croqui do naufrágio e conhecimento local.
 
 

DADOS BÁSICOS

Nome do navio: Pinguino

Data do afundamento: 26. 06 .1967

LOCALIZAÇÃO

Local: Ilha Grande

UF: RJ.

País: Brasil

Posição: Enseada do Sítio Forte.

Latitude: 23° 07.06' Sul.

Longitude: 044° 16.992' West.

Profund. mínima: 07 metros

Profund. máxima: 20 metros

CONDIÇÕES ATUAIS: inteiro.

DADOS TÉCNICOS
Nacionalidade: Panamenha
Armador: Garimar SA.
Comprimento: 50 metros
Tipo de embarcação: graneleiro
Material do casco: açoPropulsão: hélice

Carga: 18 Toneladas: cera de carnaúba, castanha de caju, sisal e café.

MOTIVO DO AFUNDAMENTO: incêndio
 

 

Visão da janelas frontais da
sala de comando

Vigias laterais da casaria, expelindo
as bolhas da penetração de mergulhadores

Entrada do 2º porão de
proa, junto ao fundo
 
Descrição
Pousado no fundo de boreste com a proa direcionada para a esquerda da enseada.
Os três porões (2º de proa e 1º de popa) estão abertos. Existe um grande rombo no costado de bombordo que se abre no compatimento dos motores; desta abertura podem ser atingidos o 2º porão de proa e o porão de popa, a passagem para a popa é muito fácil, no entanto a passagem para a proa é apertada e de difícil acesso, havendo o risco da entrada na sala de válvulas, um compartimento apertado e perigoso na frente dos motores.
 

Cabine de Comando 1º Porão 2º Porão 3º Porão Chaminé 2 Lemes e eixos Guinchos de Carga Guincho de âncora Mastro de popa Escovém

 
Todas as aberturas (portas e vigias) do casario estão abertas, podendo ser feita a penetração pela sala de comando. Existem dois mastros/ guindastres o de proa intacto e o de popa esta caido no fundo de areia. Os Hélices foram retirados mas os eixos e lemes podem ser vistos. O porão de popa está aberto por sua estiva por um rombo no casco na altura da quilha, pelo corredor que leva ao compartimento dos motores e em 2003 abriu-se um novo rombo no pé do mastro de popa.
 
Aspecto da popa em 2002, 2006, 2010 e 2012 respectivamente
Vista interna do convés que desaba a cada dia
   
As fotos dos destroços no fundo
 

Corredor que liga o 2º porão de
proa a sala de máquinas

Visão da sala de máquinas,
espaço acima do motor

Entrada de proa da sala
de máquinas
  

Parte do da estrutura que une os mastros
de vante muito colonizada

Guincho de proa

Entrada no teto da cabine de comando.
Ao fundo as janelas de navegação