NAUFRÁGIO RELIANCE
 

Histórico

O vapor Reliance foi construído em Ferro em 1883 e pertencia a companhia U S & Brazil Mail S S Co.
Em sua quarta viagem para o Brasil, deixou o porto do Rio de Janeiro com uma carga principal de 5773 sacas de Café com destino à Nova York e escala em Salvador.
Segundo o comandante o Reliance: após chegar a Salvador no dia anterior o paquete de saída transpôs a barra da Baía de Todos os Santos ás 18:20 horas, com grande cerração e chuva torrencial. Meia hora depois, o navio foi arrastado repentinamente e encalhou no local denominado Ponta das Quintas, entre o Farol da Barra e São Lazaro (hoje morro do Cristo).

 
 
 

DADOS BÁSICOS

Nome do navio: Reliance

Data do afundamento: 12.04.1884

LOCALIZAÇÃO

Local:Salvador

UF:BA.

País:Brasil

Posição: Canto da Praia de Barra Vento, junto ao morro do Cristo.

Latitude:13░ 00' 39" Sul

Longitude: 038░ 31' 30" West

Profund.mínima: 05 metros

Profund.maxima: 09 metros
CONDIÇÕES ATUAIS: desmantelado
 
DADOS TÉCNICOS
Nacionalidade: Americana
Ano de Fabricação: 1883
Armador: U S & Brazil Mail S S Co.
Estaleiro: Delaware River Iron SB&C.
Tipo de embarcação: Paquete
Material do casco: ferroPropulsão: hélice

Carga: 5773 sacas de café.

MOTIVO DO AFUNDAMENTO: Encalhe

 
Naufrágio

Às 19:00 horas os tripulantes sentiram o primeiro choque contra o fundo e embora tenham trabalhado para safar o paquete, não obtiveram resultado.
Um segundo choque, mais forte, que abriu quase cinco metros de rombo na proa, aterrorizou os passageiros, que produziram um tumulto a bordo, subindo ao tombadilho a procura de meios de salvação.
Com pequena demora, foram arriados os escaleres que em um quarto de hora depois do abalroamento já conduziam os passageiros até a praia, através da cerração e chuva que reinavam. O desembarque ocorreu quase sem incidentes, com um dos escaleres sendo jogado pelas ondas de encontro as rochas.
As 21:00 horas já estavam em terra todos os passageiros ficando a bordo do Reliance apenas os oficiais, alguns marinheiros e guardas da alfândega. As malas do correio e bagagens desembarcaram na manhã do dia 18. Uma vistoria no Reliance verificou haver a bordo quase seis metros de água o que condenou o navio.
A agência ofereceu passagens em outro vapor para os passageiros que seguiam para Pernambuco e apenas parte da carga pode ser salva.
 

Biela do pistom das máquinas

Volante do leme
 

Descrição

O naufrágio conhecido como Reliance está afundado junto ao costão do Morro do Cristo, no canto da Praia de Barlavento.
O navio parece esta bastante desmantelado e enterrado, sofre a ação das ondas e da areia, que cobre e descobre certas seções dependendo do período do ano.


Na popa podem ser vistos parte do casco praticamente de cabeça para baixo, no meio do arco do hélice está uma das pás do hélice e caído no fundo logo a frente, o leme e seu volante, que se destaca da areia projetando-se em direção à superfície.
Seguindo em direção a proa, a bombordo, inicia-se um grande conjunto de cavername que se estende continuamente até o costão do Morro do Cristo, seguindo paralelamente à costa em uma profundidade de cerca de 5 metros.

Isolada em uma porção de areia existe uma seção pequena do eixo, que segue em direção às máquinas.
No meio dos destroços encontra-se as máquinas a vapor do tipo Duble Expansion Engine. Ela está tombada para bombordo, mostrando todo o sistema de engrenagens, girabrequins, bielas e eixo. Em volta dela pouco sobrou do casco.

Um pouco mais em direção a proa estão duas grandes caldeiras com cerca de 4 metros de diâmetro e 5 de comprimento, caídas de cabeça para baixo, seus apoios originais estão a cerca de 2 metros a boreste. A caldeira de bombordo está bastante enterrada e a de boreste sofreu muito com o embate do mar e uma de suas faces está aberta e dobrada mostrando todo o conjunto do trocador de calor.
 


Seguindo-se em direção a proa, pouco existe do navio, uma grande tampa de porão ainda com as beiçolas e partes do cavername de boreste. Quase nada sobrou da proa, entre alguns ferros estão os dois escovéns invertidos, indicando que a proa do navio também adernou para boreste.
Nos dois bordos existe parte do cavername, além de outros destroços.

 


Máquinas de dupla expansão


Caldeira parcialmente corroída



Cardume dentro das caldeiras

 

Cavername de bombordo

Caldeira de boreste
 

 
Agradecimentos ao Gilson Galvão da Bahia Scuba pelas belas fotos e apoio na operação