NAUFRÁGIO HWA SHING Nº 21
 
A Ilha da Trindade
Ponto mais extremo ao leste do território brasileiro a Ilha da Trindade se localiza a cerca de 610 milhas (cerca de 1.200 km) da costa do Espírito Santo na latitude de Vitória e praticamente no meio do Oceano Atlântico e é um dos cumes da cadeia montanhosa (Cadeia Vitória Trindade), que junto com a Ilha de Martim Vaz emerge, em seu ponto mais alto, cerca de 600 metros acima do oceano.
Com uma área de cerca de 10 Km2 é de origem vulcânica e calcula-se que a atividade cessou a cerca de 50.000 anos, a partir do qual a ilha vem sendo erodida
Trindade foi descoberta em 1501 pelo navegador João da Nova e batizada no ano seguinte, pelo navegador português Estevão da Gamas. As ilhas pertenceram a Portugal até a independência, quando passaram a posse do Brasil. Em 1890, o Reino Unido ocupou a ilha, mas depois de um acordo entre os dois países em 1896, a Ilha da Trindade passou à posse definitiva do Brasil.
Em Trindade existe um Posto Oceanográfico da Ilha da Trindade (POIT) e uma base para pesquisadores do Brasil no Programa de Pesquisas Científicas na Ilha da Trindade (ProTrindade), ambos apoiados apoiados pela Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (SeCIRM) e pelo Comando do 1º Distrito Naval (Com1DN)."
Dois naufrágios estão localizados da face de ancoragem
da ilha e a pouco menos de 50 metros um do outro, são eles o Beberibe e o pesqueiro chinês Hwa Shing.
 
 
Trindade - cume de uma montanha submarina que se eleva de 5.500 metros de profundidade
 
Morro do Paredão, parde da cratera do vulcão que ruiu
 

 
Histórico do Hwa Shing
Segundo os depoimentos dos tripulantes indicados pela polícia aos jornais da época, o pesqueiro de atum de alto mar Hwa Shing de bandeira chinesa, embora algumas publicações citem a origem como de Formosa (Taiwan), deixou o porto de Montevidéu no Uruguai no dia 22 de novembro de 1989 para pescar atum em alto mar. Já haviam pescado 20 toneladas de atum (capacidade máxima de 100) quando uma grande confusão se instalou a bordo da embarcação. Segundo os três uruguaios da tripulação de 26 homens, "eles eram obrigados pelo comandante a trabalhar em regime de semi-escravidão, com pouca comida e um descanso de apenas duas horas por dia.
 
Foto Revista Manchete, junho de 1996
Foto Revista Manchete, junho de 1996
Foto Revista Manchete, junho de 1996
 
No dia 09 de dezembro os 3 tripulantes Raul Daniel Pereira de 29 anos, One Pedro Lopes Borba de 19 e Miguel Oscar Villalba Silva de 26 decidiram parar de trabalhar e pediram ao comandante que os levasse de volta a Montevidéu. Então comandante, disse que não seria possível e começou a negar comida a eles. O fato gerou uma discussão o tripulante Raul contou que insistiu e foi ofendido, revidando com tapa no rosto do comandante. O comandante foi a sua cabine e voltou com um revólver 22 pretendendo que os três tripulantes fossem deixados em uma balsa no mar esperando que outra embarcação os recolhesse. Os três avançaram sobre o comandante com a intenção de desarmá-lo. Durante a luta a arma disparou acidentalmente um tiro acertou o cozinheiro, que estava perto e acabou morrendo outro disparo perfurou uma antepara e feriu um tripulante chinês na perna e o terceiro feriu o comandante na barriga.
 
Praia dos portugueses (vista do morro Crista de galo)
Praia dos portugueses (vista da pria da Galheta)
 
No dia seguinte (10.12) o barco foi encalhado em nos bancos de recife na praia dos Portugueses da Ilha da Trindade, em frente ao ancoradouro e instalações da Marinha do Brasil.
Os três uruguaios entregaram aos oficiais da Marinha, dois revólveres calibre 22 de fabricação Argentina. A bordo da Fragata Independência foram transportados ao Rio de Janeiro, os três acusados, mais quatro tripulantes uruguaios o chinês ferido e o comandante, que foi operado no hospital Marcílio dias. A fragata chegou no final da tarde do dia 14 de dezembro, onde os três uruguaios envolvidos foram entregues a Polícia Federal, que os indiciou por homicídio e lesões corporais.
Os demais marinheiros chineses e os outros quatro uruguaios disseram não saber quem atirou, alegando que ouviram tiros e trataram de se abrigar.
 

DADOS BÁSICOS

Nome do navio: Hwa Shing Nº 21

Data do afundamento: 10.12.1989

LOCALIZAÇÃO

Local: Trindade

UF:

País: Brasil

Posição: Praia dos Portugueses

Latitude: Latitude: 20º 30.332' sul .

Longitude: 029º 19.027' oeste.

Profundidade mínima: 0 metros

Profundidade máxima: 5 metros

MOTIVO DO AFUNDAMENTO: Encalhe

CONDIÇÕES ATUAIS: desmantelado
DADOS TÉCNICOS
Nacionalidade: Chinesa
Ano de Fabricação:
Armador:
Estaleiro:
Comprimento: 28 metros Tonelagem: 200
Tipo de embarcação: Pesqueiro de alto mar
Material do casco: aço Propulsão: motor diesel
Carga: material de pesca de atum
 
Descrição
O navio encontra-se encalhado na praia dos Portugueses, cerca de 100 metros depois das instalações da rampa da Marinha. No ano de 2020 toda a seção de proa, com o casco já muito corroído, permanecia fora da água adernado para bombordo.
A proa se ergue cerca de cinco metros apoiada praticamente no seco pelo bico de proa e adernada para bombordo. A sua frente, caído sobre o fundo de pedras do local, está o guincho da corrente, que só pode ser visto na mare baixa.
A cinco metros da proa está caído o mastro da embarcação já praticamente no seco.
Na zona de arrebentação, pode ser vista a parte superior de um dos motores a diesel. Um dos geradores do navio está em exposição na Ilha, próximo a casa do comandante da guarnição da Marinha. A âncora do tipo Hill está em exposição em um pequeno museu na própria Ilha de trindade.
Ao longo da praia dos portugueses, já na fronteira entre as pedras e a areia, na linha da maré alta, existem muitos fragmentos menores da embarcação, além de cabos de aço, apetrechos de pesca entre outras peças menores. A aparência da massa de destroços e de terem sido recolhidos e empilhados ali.
 

Vista da proa da área de fundeio

A proa durante a maré baixa
Guincho da âncora

Mastro caído na linha ente marés

Bomba removida dos destroços e exposta proximo a casa do comandante da ilha
Ancorâ exposta no museu mantido em Trindade
 
Proa durante a maré alta
Vista da parte de trás da seção da proa
Motor a diesel na linha da arrebentação
Em beve (2020), a proa deve desabar devido a seu processo de desgaste
Muitos desroços estão empilhados em frente ao naufrágio na linha da maré alta, são cabos, apetrechos de pesca e peças pequenas
 

 
 
Agradecimentos:
À Marinha do Brasil, ao Almirante Paulo Biasoli, a toda equipe do Projeto ProTrindade e às tripulações Posto Oceanográfico da Ilha da Trindade e do Navio Graça Aranha (H34)
que fizeram todo o possível para a realização da pesquisa sobre o Beberibe