Sumário
Texto: Maurício Carvalho
Histórico

Com o decorrer da Segunda Guerra os ataques alemães por submarinos e a alta demanda do esforço de guerra dos aliados exigiu a construção de novas unidades e reposição rápida dos navios perdidos. Neste contexto foi executado o plano de fabricação de navios em massa.
Nos Estados Unidos foram aparelhados 18 estaleiros para a fabricação em série, a partir de seções e peças pré-fabricadas, de navios de carga que ficaram conhecidos como Liberty ships. Num período de quatro anos, foram produzidas cerca de 2.750 unidades, até hoje um recorde para um único tipo de navio. Algumas unidades chegaram a ser construídas e lançadas ao mar em 48 horas; como uma forma de demonstração do poder de construção da “Máquina de guerra americana”.
Os navios possuíam 132,3 metros de comprimento, com 17 metros de boca e deslocavam 8.500 toneladas, impulsionados por máquinas de tripla expansão com 2.950 HP.
Estavam armados com canhões de proa e popa e metralhadoras anti aéreas para dissuadir a ação dos submarinos e caças inimigos.
Tudo neles era de rápida construção. Até mesmo as soldas, novidade para a época, mas que acelerava a construção não era continua, mas em segmentos (veja na Matéria do Libert Ship Jeremiah O’Briem)
Os estaleiros California Shipbulding Corporation na Ilha Terminal, próximo a Los Angeles, produziu 305 Libertys nesse período. O “Elihu B. Washburne foi número 116. Ele foi lançado ao mar em janeiro de 1943 e batizado em homenagem ao politico norte-americano, secretário de estado durante 1869, durante a guerra de secessão.

Planta de um Liberty Ship Liberty Ship Jeremiah O’brian – San Francisco
Jeremiah O’Briam um libert ship que ainda navega
Dados básicos
Dados de localização
Dados técnicos


Convés com as estivas e o sistema de paus de carga. Vista superior das máquinas a vapor de tripla expansão, com os três cilindros visíveis e o canhão de proa
O naufrágio

Após alguns ataques que não resultaram em naufrágio no dia 16 de junho o U-513 afundou o cargueiro americano Richard Caswell de 9.146 toneladas. Após o ataque ele se encontrou, na altura dos penedos São Pedro e São Paulo, com um submarino de reabastecimento, o U-515 chamado de vacas leiteira, pois prolongavam o tempo de patrulha dos U-boats, fornecendo novos torpedos, combustível, peças sobressalentes e mantimentos.

No dia 30 de junho, ao largo de Iguape no litoral sul de São Paulo atacou e afundou o cargueiro do Lloyd brasileiro Tutoya, causando a morte de sete tripulantes, dois dias depois ele atacaria o Elihu Washburne.
O navio provinha de Lourenço Marques (atual Maputo, capital de Moçambique) e havia feito escala em Santos para o embarque de uma carga de café destinada aos Estados Unidos. Após zarpar de Santos no dia 3 de junho, o Liberty entrou em sua rota para o Rio de Janeiro, onde deveria fazer outra escala. Quanto passava a cerca de 10 milhas a sudeste da chamada Ponta do Boi na ilha de São Sebastião, na posição de latitude 24º 03′ sul e longitude 045º 11′ oeste, foi atacado pelo U-513, que disparou e o atingiu à boreste. Alguns documentos afirmam ter sido na proa outros na popa, o que pode indicar o impacto de dois torpedos.
Graças ao tempo bom, mar calmo Todos os 42 marinheiros, 25 guardas-armados e três passageiros salvaram-se em balsas.
Destroços ainda sem confirmação
Existe até hoje certa inconsistência nas informações de identificação dos locais de dois navios, o que não permite confirmar quais destroços se referem ao naufrágio do Elihu B. Washburne e qual seria o do naufrágio do Campos, do Lloyd Brasileiro, torpedeado em 23.10.1943 pelo U-boat 170 na mesma região.
Os dois naufrágios estão localizados por fora da Ilha de São Sebastião, em profundidades altas, que giram em torno de 40 a 60 metros com regularmente águas escuras no fundo e pouca frequência de mergulhadores.
Aguardamos mais informações para diferenciar os dois naufrágios.
O destino do U-513
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Em sua quarta patrulha, após os ataque, no dia 19 de julho um avião PBM Mariner, pilotado pelo Capitão-Tenente Roy S. Whitcomb, partiu de uma base em Florianópolis para patrulhar a área onde havia sido torpedeado o Richard Caswell em 16 de julho.
Depois de horas de voo, foi detectado por radar, um contato a 60 milhas a SW da última posição de SOS lançada pelo cargueiro. Às 15h30 os tripulantes divisaram a silhueta de um submarino na superfície.
Utilizando a cobertura das nuvens, o comandante Whitcomb, aproximou-se, imbicou seu avião e iniciou o ataque. Quando rompeu as nuvens, as armas de convés do U-513 abriram fogo, o U-boat do tipo IXC aumentou sua velocidade e começou a zig-zaguear.
Antes que ele pudesse mergulhar, seis bombas foram lançadas e duas atingiram em cheio o convés. As explosões ergueram o submarino e em menos de um minuto, o submarino nazista afundou de proa.
O avião circulou, visualizando muitos destroços, uma grande mancha de óleo e cerca de 10 tripulantes debatendo-se na superfície. para os quais foi lançado um bote salva-vidas.
O hidroavião lançou botes salva-vidas e continuou circulando pela área por duas horas até ser substituído por outro avião. O tender USS Barnegar seguiu para a área do ataque, onde, dos 53 homens a bordo do U-513, recolheu apenas 7 tripulantes, inclusive o comandante Guggenberg. Posteriormente, foram levados para os Estados Unidos, onde permaneceram presos até o final da guerra.
Desaparecia o U-513 do lendário Capitão-de-Corveta, Friedrich Guggenberg, que a bordo do U-81 foi responsável pelo afundamento, em novembro de 1941 no Mediterrâneo, do porta-aviões britânico Ark Royal.
Em agosto de 2011 foi anunciado que uma expedição conduzida pelo Instituto Kat Schurmann e a Universidade do Vale do Itajaí (Univali) havia localizado o U-513 a mais de 100 metros de profundidade ao largo da costa de Santa Catarina, entretanto não foram divulgadas imagens que provem inequivocamente a descoberta, mas oficiais da Marinha do Brasil afirmaram, que a localização ocorreu.
SINAU
Para mais informações, acesse o Sistema de Informações de Naufrágios - SINAU
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Em sua quarta patrulha, após os ataque, no dia 19 de julho um avião PBM Mariner, pilotado pelo Capitão-Tenente Roy S. Whitcomb, partiu de uma base em Florianópolis para patrulhar a área onde havia sido torpedeado o 