Queen Mary
Long Beach Queen Mary Seaport - Los Angeles
 

Histórico

O início do século vinte foi o apogeu da navegação de passageiros entre a europa e os Estados Unidos. A Inglaterra liderava as rota marítimas com companhias como a White Star Line e a Cunard Line, competindo com companhias francesas como Compagnie Générale Transatlantique e alemães como a HAPAG e a Hamburg Sud (Hamburg-Südamerikanische Dampfschifffahrts-Gesellschaft).

Nesse ambiente de competição a White Star Line (dona do Titanic) e a Cunard planejavam a construção de grandes transatlânticos, porém a grande depressão econômica da década de 1930 interromperam os planos de expansão.
A White Star Line havia encomendado a construção do Oceanic em 1928, navio que nunca foi terminado e a Cunard Line em 1930 encomendara um gigante de 75.000 toneladas, que já estava no estaleiro.
Devido as dificuldades financeiras a White Star Line e a Cunard Line foram fundidas em maio de 1934 e com financiamento do governo inglês o novo navio da Cunard foi completado nos estaleiros John Brown & Company no rio Clyde na Escócia.

No dia 26 de setembro de 1934, com um custo de 3,5 milhões de libras a nova empresa lançou um transatlântico de 310 metros batizado como Queen Mary em homenagem a Maria de Teck, esposa do Rei Jorge V.

 
 
 
O Queen Mary partiu em sua viagem inaugural de Southampton na Inglaterra para Nova York no dia 27 de maio de 1936. O luxuoso navio apresentava uma arqueação bruta de 80.774 toneladas. Nas próximas décadas ele se tornaria um dos mais populares e glamurosos navios de passageiros de sua época, competindo com o SS Normandie, da Compagnie Générale Transatlantique, construído em 1932. A disputa não só estava no conforto e luxo oferecido a seus passageiros, mas também nas velocidades médias de navegação na travessia do Atlântico que giravam em torno de 30 nós.

Durante o início da Segunda Guerra Mundial o Queen Mary, seu irmão (sister-ship) o Queen Elizabeth e o Normandie, assim como muito dos luxuosos transatlânticos da nações da Europa ficaram retidos nos portos para evitar o impacto moral que um possível afundamento por um submarino do eixo causaria. Com o agravamento do conflito e o aumento crescente da necessidade de meios de transporte, em 1940 foi decidido transformar O Queen Mary, o Queen Elizabeth e o Normandie em navio de transporte de tropas.
Durante os trabalhos de conversão em um estaleiro O Normandie sofreu um forte incêndio e foi destruído totalmente.
 
DADOS TÉCNICOS
Tipo de embarcação: Transatlântico
Armador: Cunard White Star Nacionalidade: inglesa
Construção: 1934 Estaleiro: Charles Connel & Co. Glasgow, Scothand
Material do casco: aço
Comprimento: 310,7 metros Boca: 36 metros Deslocamento: 81.961 toneladas
Propulsão: 4 turbinas a vapor - 160 000 hp (119 000 kW) com 4 hélices e 24 caldeiras
atingindo 28,5 nós
Tripulação: 1100 Passageiros: 2139
 
 

O Queen Mary navegou para Sydney na Austrália onde, juntamente com vários outros navios, foi convertido em navio de transporte de tropas.
Seu casco, superestrutura, mastros e chaminés foram pintadas de cinza para camuflá-lo, pelo lado de fora do casco, foi montada uma bobina de
desmagnetização, para proteger o navio contra minas magnéticas.
Foram instaladas diversas armas anti aéreas no convés. Todo mobiliário interno e utensílios foram removidos para um galpão e foram instalados foi beliches para acomodar os soldados.

Sua alta velocidade o protegia da ação dos submarinos e por isso diversas vezes navegou a escoteiro (fora de comboios) e sem escolta. O Queen Mary se tornou o maior navio de transporte de tropas utilizado no conflito, levando soldados australianos, neozelandeses e americanos para o Reino Unido. Em uma mesma viagem chegou a transportar 17.000 homens.

 
Depois da Segunda Guerra Mundial (1946 a 1947) o Queen Mary foi reformado para retornar ao serviço de passageiros, com 711 cabines de primeira classe, 707 da segunda classe e 577 passageiros da classe turística. Nas décadas de 40 e 50 a Cunard White Star dominaria o comércio de transporte de passageiros entre Estados Unidos e Europa.

A partir de 1958,
com o primeiro voo a jato transatlântico, começa um lento declínio e a empresa colocou o Queen Mary , junto com seu irmão o Queen Elizabeth a venda. Em 1965, depois de realizar sua 1000.ª e última travessia no Atlântico Norte, tendo realizado mais de 2.112.000 passageiros e 37.922.27 milhas (6.102.998 Km) o navio foi vendido em 1967 por US $ 3,45m/1,2 milhões.
O Queen Mary foi permanentemente ancorado em Long Beach na Califórnia e em 8 de maio de 1971 foi inaugurado como atração turística, hotel, museu e eventos.
 

 
O navio Queen Mary
 
Junto ao Queen Mary existe um submarino russo o Scorpion
Os famosos botes salva vidas e a icônica chaminé
A gigantesca âncora parece pequena no casco do navio
 
As buzinas que tantas vezes anunciaram a partida
O mastro de proa e a gávea
Sala de comando
 

Conjunto de proa
 
Castelo de proa com teleégrafos de manobra e o sino
Tudo é gigantesco no navio
O enorme sistema de erguimento da âncora
Correntes, guinchos e escovéns cuidadosamente conservados
Passadores de cabos com mais de 1 metro de altura
Enormes cabços de amarração (mais de 1 metro)
 
Ponte de comando
   
Telégrafos de máquinas no tijupá
Todo o brilho do bronze na sala de comando
 
Os principais telégrafos de máquina do navio
Telégrafos, timão bússola e funis de comunicação (em cima a direita)
 
Convés e passadiços
 
Ponde de comando vista da extremidade do convés de proa
O entardecer de Long Beach da ainda mais charme ao luxuoso navio
Armas instaladas durante os períodos de conflito
 
Vista de uma das estivas de carga (proa)
Os guinchos que movimentavam os paus de carga
Guinchos de atracação no convés de popa
 
Convés de bombordo, se extende por quase toda lateral do navio
Uma enorme quantidade de rebites mantinha o casco e estruturas fixas
Convés de popa onde onde ocorriam jogos e divertimento
 
Varanda de um dos luxuosos restaurantes do navio (popa)
Acesso ao convés superior com uma das quatro chaminés
Coberta de bombordo (Promenade deck), acesso aos salões restaurantes e demais partes do navio
 
Promenade, principal área de circulação do navio durante as navegações, as janelas davam ampla visão do oceano. Em sua entrada principal, hoje está instalado um dos sinos do navio

 
Interior do Queen Mary
 
As estruturas internas estão muito bem preservadas e servem ao estudo da construção naval da época
Os ambientes de 2ª de 3ª classe com salas de estar e camarotes estão muito bem representados na área de museu do navio
A primeira classe abriga hoje o hotel, são longos corredores com uma aparência um tanto assustadora. "O iluminado passa levemente pela memória".
Todo o glamur de sua época de ouro, quando era a melhor forma de se atravessar o Atlântico é representado por todo o navio por fotos dos ilustres passageiros.
Os grandes salões e galerias da primeira classe abrigam algum das instalações do hotel como lojas, salão de beleza, bares e lojas.
 
Os quartos compactos mas confortáveis representam o ambiente original
Os banheiros, embora acanhados, são como uma viagem no tempo. Com atenção especial para as torneiras que forneciam água salgada?
 

 
Sala de máquinas
 
A sala de máquinas, totalmente aberta a visitação, é imperdível. Caldeiras, máquinas, turbinas ( em vermelho) paineis de controle e demais peças estão muito bem preservados e são todos de proporção gigantesca.
 
A engranagem de giro do eixo, no detalhe vários dentes estão partidos. O eixo tem cerca de meio metro de diâmetro
Um dos dois cilindros hidráulicos de movimentação do leme
 
Na popa estão os hélices, seus cubos, porcas de fixação e a enorme chave
utilizada para desmontagem e substituição da peça
Como o navio não mais navega, foi aberta uma piscina na parte de baixo do casco na popa que permite visualizar,
ainda na água, uma das três grandes hélices do transatlântico
 

 

Naufrágios de transatlânticos

Navios do estilo do Queen Mary não afundavam com frequência. Assim, mergulhar em destroços desse tipo não é uma tarefa das mais fáceis. Alguns navios dessa categoria afundaram e são passíveis de mergulho. Entre eles podemos citar: o Britannic, sister ship do Titanic, afundado na 1ª guerra mundial (1915) no canal da ilha de Kea - Grécia. O Andrea Dória naufragado em 1956, depois de um choque com outro navio ao largo de Nantucket (Massachusetts, EUA), na rota para Nova York. O Bianca C, um luxuoso navio, naufragado em 1961 devido a um incêndio na ilha de Granada no Caribe.

No Brasil, o navio mais semelhante em estilo e construção ao Queen Mary seria o Magdalena naufragado na entrada doa Baía de Guanabara em 26.04.1949.

 

 
Informações turísticas
O Queen Mary hoje funciona como um hotel, centro de convenções, festas e museu. Optei por passar duas noites no navio, porém não foi uma boia escolha, as instalações são antigas e pouco confortáveis, o atendimento deixa muito a desejar e o local ainda é bastante perigoso, tendo ocorrido um furto de nosso veículo no estacionamento e menos de 50 metros da portaria do hotel. O hotel não prestou nenhum auxílio e ainda alegou que não haviam câmeras controlando o local.
Uma visita ao navio pode ser agendada com uma pequena tarifa e dará acesso a todas as instalações para o conhecimento da embarcação. Se preferir o estilo "O Iluminado", passear pelos corredores e convés no meio da noite não deixa de ser uma atrativo. Segundo o guia turístico do navio, fantasmas circulam pelos corredores.
 


Queen Mary
Queen Mary Seaport - Long Beach - Los Angeles


 

 

 
Consulte nosso guia de estruturas de vapores e conheça mais sobre sua construção e características, caso deseje identificar as peças pelo visual utilize o esquema na página de Navios à vapor.
 


Navios a Vapor