HMS M.33
Portsmouth Historic Dockyard - Portsmouth, Inglaterra
 

Portsmouth Historic Dockyard

Saindo de Londres de trem, a partir da estação Waterloo, chega-se confortavelmente
em uma hora e meia a cidade de Portsmouth no sul da Inglaterra. Da saída da pequena estação já pode ser visto ancorado no porto o belíssimo veleiro HMS Warrior.
Siga tranquilamente a pé em sua direção e você encontrara em menos de 10 minutos a entrada do histórico estaleiro
da cidade, onde hoje funciona o Portsmouth Historic Dockyard, completo e incrível centro de turismo.
Além do HMS Victoy ainda existem muitas outras atrações para os amantes da história náutica, entre elas o HMS Warrior um navio a vela e vapor de combate, que em seu lançamento era um dos mais bem armados do planeta, o Museu do Mary Rose, captânia do rei Henry VIII que teve seus restos retirados do fundo do mar. A canhoneira HMS M.33, último remanescente da batalha de Gallipoli na Turquia (1915), o Submarino HMS Alliance, além de dois museus com temas náuticos, lojinhas e outras facilidades.
Um dia inteiro em Portsmouth é pouco para olhar com calma todos os detalhes dessas atrações, por isso, se não estiver planejando dormir na cidade, se programe para chegar cedo e marque a volta para depois das 18:00 horas.
Ao lado do porto existe um muito bem montado shopping estilo outlet, com algumas da mais conhecidas marcas além de restaurante e um prédio com vista panorâmica ao estilo Dubai.

 

 

O Navio

O HMS M33 é um monitor eum dos únicos três navios de guerra da Marinha Real Britânica da Primeira Guerra Mundial que restaram e o único sobrevivente da sangrenta Campanha Gallipoli na Turquia.
Desde agosto de 2015, após restauração foi listado como Frota Histórica Nacional e está aberto a visitação, localizado no Portsmouth Historic Dockyard, logo ao lado do HMS Victory.
O HMS M.33 foi construído pela Marinha Real Inglesa como parte da campanha rápida de construção de navios após o início da Primeira Guerra Mundial. Era um monitor da classe M29 com 54 metros de comprimento e 580 toneladas, armado com quatro canhões e metralhadoras, com um baixo calado foi projetado para bombardeios costeiros.

 

 

DADOS TÉCNICOS
Tipo de embarcação: Monitor classe M29 Nacionalidade: inglesa
Lançamento: 05.1915 Estaleiro: Harland e Wolff de Belfast (Irlanda)
Comprimento: 54,03 metros Boca: 9,4 metros Calado: 1,8 metros
Deslocamento: 580 toneladas Material do casco: aço
Propulsão: a vapor de expansão tripla com 4.000 hp, 2 hélices.
Velocidade: 9,6 nós (18 km / h).

Armamento: 2 Canhões Mk XII de 6 polegadas (152 mm)
2 Canhões 6 libras (57 mm)
2 metralhadoras Maxim

Tripulação: 72 oficiais e marinheiros
Casco do monitor com 54,03 metros - 580 toneladas
 



Encomenda em março de 1915 para os estaleiros Harland e Wolff de Belfast (Irlanda), mesmo com vários outros navios do seu tipo sendo construídos no mesmo período, foi lançado em maio e comissionado em junho do mesmo ano, feito impressionante para a época.
Serviu ativamente no Mediterrâneo durante a Primeira Guerra Mundial e comandado pelo tenente-comandante Preston-Thomas, sua primeira operação ativa em agosto de 1915, foi o apoio aos desembarques britânicos em Suvla, durante a Batalha de Gallipoli na Turquia. Permaneceu estacionado em Gallipoli até a evacuação inglesa em janeiro de 1916. Muito pouco confortável, a tripulação de 72 oficiais e homens ficavam amontoados dentro e fora do navio.
Durante o restante da Primeira Guerra, serviu no Mediterrâneo e esteve envolvido na apreensão da frota grega na Baía de Salamis em setembro de 1916.
Em 1919, juntamente com outros cinco monitores (M23, M25, M27, M31 e Humber) serviu durante a intervenção aliada na Rússia. Enviados para o porto de Murmansk para abastecer e transportar a Força Expedicionária da Rússia do Norte.
Em junho, seu baixo calado permitiu viajar, embora tenha de ter suas armas retiradas, pelo rio Dvina, para cobrir a retirada das forças britânicas e russas. O M.25 e M.27 e depois de encalhar tiveram de ser abandonados em setembro de 1919. Em outubro, o M.33 retornou com segurança a Chatham ...
Em fevereiro de 1925 foi renomeado como HMS Minerva e utilizado como navio de treinamento para lançamento de minas. Em 1939 seu nome foi alterado novamente para Hulk C23, passando por várias funções, foi navio de abastecendo, oficina e o escritório flutuante no Royal Clarence Victualling Yard em Gosport (1946).
Colocada à venda em 1984, passou para o Conselho do Condado de Hampshire na década de 1980 trabalharam para desenvolver o projeto de 2,4 milhões de libras para conservar, restaurar o navio que foi entregue ao Museu Nacional da Marinha Real em 2014. Um programa de conservação foi realizado para permitir que ela fosse aberta ao público.

 
O canhão principal Mk XII de 6 polegadas (152 mm)
Doca do Portsmouth Historic Dockyard - Portsmouth, foto tirada do convés do HMS Victory

Batalha de Gallipoli

As duas grandes guerras que ocorreram na primeira metade do século XX e que abalaram e transformaram as grandes potências não estiveram restritas ao continente europeu e sul do Pacífico. Outros teatros estiveram envolvidos como a costa do Brasil, Caribe e América do Norte, com o afundamento de navios cargueiros por submarinos, a África e a região conhecida como Ásia Menor (ou Anatólia), região dominada pelo império Turco-Otomano.
Especificamente na Península de Gallipoli a Inglaterra sofreria uma de suas mais dramáticas derrotas em todos os conflitos em que esteve envolvida.
A Primeira Guerra Mundial foi desencadeada pelos interesses expansionistas dos grandes impérios formados no século XIX. De um lado, os impérios alemão e austro-húngaro que desencadearam um ataque contra o Império Russo (e países eslavos). Do outro, a coalizão franco-britânica, que já dominava enormes áreas pelo mundo como a Índia, se posiciona ao lado dos Russos contra os impérios austro-húngaro e alemão. Na Europa o conflito vai evoluir para a famosa guerra de trincheiras.
Na periferia do conflito, Oriente Médio, Norte da África e parte da Ásia eram controlados pelo império Turco-Otomano, inimigo histórico dos Russos. E que acabam por compor uma aliança com os alemães.

O império Turco-Otomano está posicionado entre a Europa e a Anatólia (Ásia Menor), e por isso, representava um lugar estratégico. Gallipoli é uma península no noroeste da Turquia, separada do resto do território pelo estreito de Dardanelos. Ele liga o mar Egeu ao mar de Mármara, que em sequência se liga ao Mar Negro, pelo estreito de Bósforo onde fica Istambul antiga Constantinopla.

Em 1915, uma operação por mar e terra, articulada por Winston Churchill, então Primeiro Lorde do Almirantado inglês, tentou invadir a região da Anatólia, passando com as forças, inglesas, neozelandesas, australianas e francesas pelo estreito de Dardanelos para romper o isolamento da aliada Rússia, tomar Constantinopla e colocar o Império Turco-Otomano fora do conflito.






 
O plano de Churchill era utilizar dezoito navios antigos das marinhas britânica e francesa para abrir caminho à força pelo estreito, defendido segundo o plano, por fortes e armas obsoletos e atingir rapidamente a capital.
Ao mesmo tempo, cerca de 500.000 homens da Grã-Bretanha, França, Austrália e Nova Zelândia desembarcariam pelo mar Egeu e em Gallipoli e outras praias do estreito, mantendo-o aberto.
Porém, com uma média de apenas 1,6 km de largura, Dardanelos é suficientemente estreito para que os velhos canhões Krupp dos fortes turcos e 370 minas recém-instaladas causassem uma derrota dramática aos invasores.
O famoso cruzador francês Bouvet, atingido por uma mina, virou e 600 tripulantes morreram.
O HMS Inflexible também atingiu uma mina, o que causou a morte de cerca de 30 homens, mas, apesar da morte de 30 tripulantes, permaneceu flutuando e acabou encalhado. Em seguida o HMS Irresistible também atingiu uma mina e ficou inoperante. O HMS Ocean despachado para socorre-lo, ao chegar à área, teve seu leme destruído por outra mina e ficou à deriva. Os dois navios tiveram que ser abandonados.
Dois navios ingleses também afundaram e mais três foram colocados fora de combate.
O desembarque anfíbio em Helle, Gaba Tepe e Sulva Bay também foi um fracasso, as tropas aliadas foram metralhadas pelos flancos e a topografia árida de Gallipoli era formada por vales profundos e encostas íngremes, um pesadelo para a infantaria.
A resistência dos turcos e alemães denominada por alguns historiadores de "jihad germânica", foi bem-sucedida e resultou em um dos maiores massacres contra os fuzileiros britânicos e franceses e a pior derrota da aliança na Primeira Guerra.
Em dezembro de 1915, as forças invasoras derrotadas começaram a retirar os mais de 150.000 homens de suas tropas, as últimas unidades deixaram a região em janeiro de 1916.
O saldo da campanha; seis navios perdidos e cerca de 700 marinheiros. Os britânicos e seus aliados tiveram cerca de 220.000 baixas (43.000 mortos). As divisões ANZAC (Australian and New Zealand Army Corps), foram as que sofreram as maiores baixas, mais de 33.600 perdas (mais de 1/3 de mortos) e sentiram-se abandonadas pelos ingleses. As tropas coloniais franceses tiveram 47.000 baixas (5.000 mortos).
As baixas turcas são estimadas atualmente em cerca de 250.000 (65.000 mortos).
 
 

 

No Brasil

N o Brasil temos poucos navios com essas características, um delesseria a canhoneira alemã Eber, naufrágada na Baía de Todos os Santos em Salvador.

 


VISITAÇÃO
Portsmouth Historic Dockyard, cidade de Portsmouth ao sul da Inglaterra.


 


 
Consulte nosso guia de estruturas de vapores e conheça mais sobre sua construção e características, caso deseje identificar as peças pelo visual utilize o esquema na página de Navios à vapor.
 


Navios a Vapor