O navio NRP Sagres (NRP - Navio da República Portuguesa) é um navio da escola da Marinha portuguesa, armado como uma barca de três mastros. Mede cerca de 90 metros de comprimento e desloca 1900 tonaladas pertencendo a Marinha de Portugal desde 1962. Sua função é assegurar a formação marinheira dos cadetes da Escola Naval, complementando a componente técnica e acadêmica da sua formação com treino do mar. É o terceiro navio escola com esse nome, sendo por isso, conhecido também por Sagres III.
O nome do navio foi uma homenagem ao Cabo de Sagres situado na extremidade sudoeste de Portugal e que tem uma enorme carga mítica, sendo conhecida entre os romanos como promontorium sacro.
Suas velas ostentam a cruz de Cristo, símbolo da ordem Militar de Cristo, que foi utilizada pela primeira vez nas velas dos navios portugueses da armada de Pedro Álvares Cabral. Afigura de proa, símbolo do navio é representada pelo Infante Dom Henrique, grande impulsionador da expansão e dos descobrimentos marítimos portugueses.

FICHA TÉCNICA: Comprimento: 89,5 metros
Boca: 12,0 metros
Calado: 5.5 metros
Altura dos mastros: 46,2 metros
Deslocamento: 1900 toneladas
Área de Vela: 1971 m²
Motor: diesel (MTU) 1000 Cv
Tripulação: 128
 
 

 

Este navio pertencente a classe Gorch Fock, foi o terceiro a ser lançado, de um total de 5 navios (4 lançados ao mar), construídos nos estaleiros navais da renomada Schiffswerft e Machinenfabrik Blohm & Voss em Hamburgo na Alemanha. Incorporado em julho de 1937 com o nome de Albert Leo Schlageter, o objetivo da classe era desempenhar as funções de navios-escola para a Marinha Alemã. O Albert Leo Schlagete pertenceu a Alemanha até 1948.
Devido ao período da Segunda Guerra fez apenas uma viagem de instrução sob bandeira alemã. Acabando por ser empregado
como transporte de tropas e refugiados no mar Báltico, até que em uma de suas missões atingiu uma mina submersa e severamente danificado foi ancorado no porto.
No final da II Guerra Mundial, durante a ocupação do porto de Bremenhaven, as forças armadas dos Estados Unido capturaram o Albert Leo Schlageter e o Horst Wessel, segundo navio da classe.
O
ex-Horst Wessel é o atual USCGC Eagle (navio-escola da Academia de Guarda Costeira da Marinha Norte-Americana). Já o Albert Leo Schlageter foi vendido à Marinha do Brasil em julho de 1948 por um valor simbólico de U$ 5000 dólares. No Brasil, foi completamente restaurado e reaparelhado no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro.
Em outubro de 1948 recebeu o nome de Guanabara, servindo como navio-escola até 10 de outubro de 1961 (foto ao lado na cerimônia de baixa da embarcação), data em que foi vendido a Portugal por 150.000 dólares.
A serviço de Portugal, o NRP Sagues já deu a volta ao mundo três vezes, sendo a última realizada em 2016.

 

 

Navio Sagues no porto do Rio de Janeiro em fevereiro de 2020
Navio Sagues no porto do Rio de Janeiro durante as olimpíadas de 2016
 

 
A Proa do Veleiro
Além do mastro gurupés que se projeta na proa ornamentada com a figura lendária do Infante Dom Henrique, em seu convés, se destacam os sistemas de retenção, lançamento e recolhimento das âncoras, amarração de cabos e outros equipamentos, todos muito brutos e que por isso, são muito resistentes e estão presentes em diversos naufrágios espalhados pelo Brasil.
   
Figura de proa é representada pelo Infante Dom Henrique grande impulsionador da expansão e dos descobrimentos portugueses
Cabeços de amarração da proa
     
Sistema de guincho de cabrestante (verticais) que subiam as âncoras, estão
sinalizados no bombordo com vermelho e em boreste com verde
Um dos três sistemas de trava das correntes,
o parafuso aperta o sistema contra os elos
Descida da corrente do convés para o escovém
 

 
Convés mastros e casario
No longo convés do Sagres existem dois castelos mais elevados, um na proa e outro na popa. Por todo o convés existem muitas estruturas distribuídas para cumprir as muitas funções necessárias ao bom funcionamento de um grande veleiro como este. O navio é armado a galera, com três mastros, Traquete (à frente - proa), Grande (no centro - meia nau) e Mezena (na parte de trás - popa). Para todos eles, existem centenas de metros de cabos, cabrestantes (guinchos) de levantamento das velas e pontos de amarração e direcionamento dos cabos.
No convés existem acessos a diversos compartimentos internos como cozinha, banheiros, sala de máquinas e sala de comando.
     
Sistema de velas e máquinas do Sagres
Foto do convés à maia nau tirada do castelo de popa para a proa
Foto do convés ámaia nau tirada da proa para o castelo de popa
 
Escotilhas para a sala de máquinas
Cabine de comando (equipamentos modernos) no início do castelo de popa
Mastro Traquete e Grande com a gávea (ponto de observação)
 
Em vários pontos à meia nau e na popa existem turcos guarnecidos com os escaleres da embarcação prontos para o lançamento. Podem ser vistos no naufrágio do Itapagé (Alagoas)
 
Canhão de sinalização da embarcação, utilizado no passado para saudação e comunicação entre embarcações ou com a costa
(tampa do canhão com o brasão do Sagres)
O belo sino do Sagres com a data de sua incorporação a Marinha de Portugal
 

 
Cabos e velas
Em qualquer veleiro predominam os sistemas de cabos que manipulam as pesadas velas, são milhares de metros de cabos diversos com espessuras diferentes, utilizados em sistemas independentes ou conjuntos, em condições diferentes e que precisam responder prontamente para o ajuste das embarcações as condições do mar e tempo. Por isso sempre foi dado nos veleiros muita atenção a sua organização. Nos naufrágios de veleiros como Maraldi (Salvador) e Buenos Aires (Rio de Janeiro) é comum encontrarmos uma infinidade de pequenas peças, que em um primeiro contato não parecem fazer parte do contexto do navio e muitas vezes são confundidas com parte da carga, mas o treino dos olhos pode revelar a real função de todos esses mecanismos e tornar o monte de ferros do fundo um conjunto lógico e ainda mais fantástico.
   
Galera armada com três mastros Traquete, Grande e Mezena.
As armações horizontais são chamadas de forma geral de vergas.

Vista da gávea do mastro Grande com susas diversas
vergas (grande, baixa, alta, de joanete e de sobre)

O cabrestante que tracionava os cabos que sobem as
pesadas velas estão dispostos pelo convés de todo o navio
Pode ser visto no naufrágio do Chuck (Rio de Janeiro)
 
As malaguetas (neste navio peças em bronze) permitem fixar e soltar os cabos rapidamente e estão presentes em traves de madeira, tanto nos bordos como em torno dos mastros, dependendo de função dos cabos
 
São comuns passadores de cabos no convés, com ou sem moitões e roldanas, que direcionam os cabos ao ponto certo
e também reforços em bronze para deslizar os cabos em arestas da estrutura evitando que ocorra seu desgaste precoce
Alguns carreteis (sarrilhos) acondicionam cabos mais longos
evitando que embolem durante o uso.
Pode ser visto no naufrágio do Beberibe (Ilha da Trindade)
 

 

Comando e navegação
A arte da navegação astronômica foi uma das grandes responsáveis pela expansão das grandes nações do século XV. Astrolábios, bússolas, réguas, sextantes entre outros aparelhos permitiram ler as estrelas e levar o homem pelo mar a todas as partes do planeta. Até hoje esse conhecimento é exigido dos oficiais de todas as marinhas do mundo, já que em condições de guerra, destruir os sistemas eletrônicos são um objetivos prioritários das marinhas combatentes. Nos navios escola, essa arte de navegar pelo magnetismo da terra e pelas estrelas e treinado exaustivamente e os equipamentos dos séculos passados são de uma beleza impar para os amantes do mar.
Raramente essas peças são encontradas nos naufrágios, pois seu alto valor no mercado de arte náutica ou mesmo pelo valor do metal (geralmente o bronze) faz com que sejam removidas muito rapidamente. Embora em alguns naufrágios protegidos ainda possam ser apreciadas como no Nippo Maru em Chuuck Lagoon na Micronésia.

 
Sistema de comando principal no centro da embarcação, junto ao mastro Grande. São três timões acoplados e fixados por um sistema de freio (não há giro livre),
duas bitáculas de bússola principais, duas bússolas de alinhamento (são posicionados sobre elas um visor para marcar com precisão pontos notáveis).
Existe ainda um telégrafo de máquina mecânico (tradicional) e um eletrônico
Estão presos a chaminé do Sagues a placa do estaleiro construtor do navio,
com a data de fabricação e um clinômetro,
que mede a inclinação da embarcação
 


Bitácula de bússola com as esferas de ferro (pretas),
que permitem regular e corrigir os desvios magnéticos
Bússolas de visadas nos dois bordos da embarcação. A direita uma marinheiro do H34 Graça Aranha, durante a faina de ancoragem
na ilha da Trindade, utilizando essa bússola para ler com precisão as marcas em terra
 

Telégrafo de máquinas tradicional, comunicava-se
por cabos com a sala de máquinas
Na frente do castelo de popa está a sala de navegação
com equipamentos modernos
Na popa, há um segundo leme de comando
ligado diretamente as máquinas do leme
 

     
A Popa
Na popa em leque, se destacam a bela placa com o nome da embarcação e a casa do leme, onde está o mecanismo alternativo de comando do leme e uma âncora reserva desmontada. A partir do mastro de Mezena são três suportes de vela diagonias Mezena baixa, média e alta. Existem também um sistema de comando por timão e um cabrestante para elevação das velas.
     


O piso do convés é impecável e existem muitas peças
em bronze por todo o veleiro, inclusive cabeços de amarração.
Nos bordos estão presentes os equipamentos
para amarração ao cais como as buzinas
abertas (esquerda) e fechadas (direita), pintadas de preto
A popa do Sagres mostrando suas linhas elegantes e o casco formado por placas soldadas
 
Dentro da casa do leme está o mecanismo alternativo de comando, ligado a cana do leme, diretamente abaixo como o encontrado no Santa Catharina (Abrolhos).
No mesmo espaço está guardada uma âncora reserva desmontada (na foto amarrada com o cabo amarelo)
 

Em muitos dos navios históricos, principalmente em visita a portos estrangeiros não se aceitam visitantes com mochilas, mas nem sempre existe onde guardá-las.
Assim de preferência a visitá-los apenas com a máquina fotográfica, ou uma bolsa pequena.
Também não costuma estar disponíveis facilidades como banheiros e bares. Embarque preparado para fazer uma grande "viagem" no tempo. Naufrágios uma aventura até em cima d'água.

 
Mais informações sobre NRP Sagres

www.marinha.pt
www.sagres.marinha.pt
 
Consulte nosso guia de estruturas de vapores e conheça mais sobre sua construção e características, caso deseje identificar as peças pelo visual utilize o esquema na página de Navios à vapor.
 


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